O desenvolvimento econômico do Nordeste pautou o debate na reunião plenária da Alepe, nesta quarta. O deputado Renato Antunes, do Novo, usou a tribuna para criticar a condução da gestão federal, apontando que a participação da região no PIB nacional permaneceu praticamente estagnada nos últimos vinte anos, variando de 13% para 14,2%, apesar de o Nordeste concentrar 27% da população brasileira. Para Antunes, os programas de transferência de renda devem ser acompanhados de investimentos em infraestrutura e geração de empregos formais.
“O Nordeste que não tem investimento em infraestrutura. O Nordeste que depende exclusivamente do Bolsa Família, mas que não se produz. E eu pergunto: transferência de renda, sem transformação produtiva suficiente. Ou seja, não se prega esperança, se prega escravidão.”
Doriel Barros, do PT, defendeu as ações federais. Ele destacou a expansão da infraestrutura educacional no Nordeste, com a criação de universidades e escolas técnicas, além da importância das políticas sociais no combate à fome e na redução das desigualdades históricas. “Eu defendo o Brasil de oportunidade, que as pessoas possam ter os mesmos direitos e quem mora lá em Águas Belas, numa comunidade rural do meu município, ter o mesmo direito que você tem, que mora aqui no centro de Recife, deputado estadual, mas que tenha as mesmas oportunidade de ter médico, de ter uma educação de qualidade, de ter saúde de qualidade.”
Doriel Barros ainda repudiou um vídeo publicado nas redes sociais do pastor Silas Malafaia, no qual o religioso se dirige ao povo nordestino e responsabiliza os governos do PT por problemas socioeconômicos da região. O parlamentar argumentou que Malafaia desconhece a realidade do povo nordestino, que, segundo ele, viveu um passado de miséria.
“A marca do Nordeste antes era fome e morte. A cada cinco minutos morria uma criança aqui no Nordeste; por dia, morriam 290 crianças por desnutrição. Era como se dois aviões Boeings caíssem todo dia aqui no Nordeste.”
João Paulo, do PT, defendeu a preservação de políticas públicas e de direitos fundamentais, como saúde, educação e assistência social. Ele citou como exemplo, a importância do Bolsa Família no combate à fome e na garantia de renda para famílias em situação de vulnerabilidade.
“Conseguir um emprego ou abrir um negócio não significa automaticamente ter renda estável para sustentar uma família. Estamos falando de um programa que completou ontem 23 anos.”
João Paulo também fez nova cobrança por concurso público na Alepe. Ele argumentou que o certame pode fortalecer o serviço público e contribuir para atender às demandas da Casa Legislativa.
O Pastor Júnior Tércio, do PP, questionou investigação do Ministério Público de Pernambuco sobre a realização de um culto religioso na sede do Hemope, no Recife. O parlamentar demonstrou preocupação com o que considera uma tentativa de intimidação de cristãos. Segundo ele, o culto ocorreu fora do expediente, sem comprometer o funcionamento da instituição. O deputado lembrou que o Brasil é um Estado laico, sem religião oficial, e ressaltou que a Constituição também garante a liberdade religiosa.
“Essa mesma Constituição, ela garante e protege toda e qualquer manifestação religiosa. Isso está soando para mim como uma perseguição, como uma tentativa de intimidar os nossos irmãos em Cristo.”
A melhora dos indicadores da educação de Garanhuns, no Agreste Meridional, recebeu destaque do deputado Cayo Albino, do PSB. O parlamentar enfatizou que Garanhuns conseguiu o primeiro lugar de Pernambuco no ranking de competitividade dos municípios, no índice de qualidade de educação, e o nono lugar do Nordeste.
“No ano de 2021, por exemplo, cerca de 74% das nossas crianças até os sete anos de idade sequer sabiam ler e escrever. Um dado extremamente alarmante. Hoje, aquele número de crianças alfabetizadas mudou completamente. Mais de 92% das nossas crianças até os sete anos de idade sabem ler e escrever.”
Ele ainda citou outros números da educação de Garanhuns, como o crescimento nos resultados do Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, e o aumento da quantidade de creches e de escolas em tempo integral.
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